18 Jul 2019 Story Cities and lifestyles

Cidade colombiana adota soluções naturais para combater o calor

Embora isso traga certo alívio a curto prazo, trata-se de uma solução ineficiente em um planeta cada vez mais quente. O aumento no uso do ar condicionado e de outros sistemas de arrefecimento traz consigo um enorme gasto de energia que, por sua vez, tem relação com as alterações climáticas e a elevação da temperatura terrestre.

Mas não precisa ser assim. A segunda maior cidade da Colômbia, Medellín, tem adotado soluções naturais para climatização. Soluções naturais são, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, "ações que protegem, gerenciam de forma sustentável e restauraram ecossistemas naturais ou modificados, abordando desafios sociais de forma eficaz e adaptativa, proporcionando simultaneamente bem-estar humano e benefícios à biodiversidade".

Medellin, assim como muitas outras cidades, enfrenta o aumento das temperaturas agravadas pelo efeito das ilhas de calor urbanas. Concreto e asfalto absorvem a energia do sol, irradiando calor e mantendo a cidade muito quente – mesmo depois que o sol se põe.

As autoridades de Medellín transformaram 18 ruas e 12 hidrovias em um paraíso verde que reduz o acúmulo de calor na infraestrutura urbana com o projeto Green Corridors. A iniciativa venceu este ano o Prêmio Ashden de Resfriamento Baseado na Natureza, que é apoiado pelo Programa Kigali de Eficiência de Refrigeração, em parceria com a Sustainable Energy for All.

"Quando tomamos a decisão de plantar os 30 corredores, concentramos nas áreas que não tinham mais espaços verdes", disse o prefeito Federico Gutiérrez. "Com essa intervenção, conseguimos reduzir a temperatura em mais de 2°C e os cidadãos já percebem essa diferença", acrescentou.

"O projeto Green Corridors é um excelente exemplo de como a sociedade civil, urbanistas e governo podem confiar na natureza para desenvolver um projeto urbano inteligente. O monitoramento será fundamental para demonstrar ainda mais os múltiplos benefícios dessa abordagem ao longo do tempo ", disse Juan Bello, diretor do Escritório da ONU Meio Ambiente na Colômbia.

"O projeto Green Corridors é um excelente exemplo de como a sociedade civil, urbanistas e governo podem confiar na natureza para desenvolver um projeto urbano inteligente. O monitoramento será fundamental para demonstrar ainda mais os múltiplos benefícios dessa abordagem ao longo do tempo ", disse Juan Bello, diretor do Escritório da ONU Meio Ambiente na Colômbia.

Os parques urbanos podem reduzir a temperatura do ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C. Na Itália, Milão - que sofreu cortes de energia devido à demanda por ar condicionado durante a onda de calor do verão - está planejando plantar três milhões de árvores até 2050 para reduzir o efeito das ilhas de calor e aumentar a qualidade do ar.

Por outro lado, telhados verdes podem reduzir o consumo de energia. Há indícios de que, em cidades como Atenas, eles podem diminuir em até 66% a demanda por resfriamento artificial nos edifícios.

"Medellín e muitas outras cidades estão mostrando como podemos mitigar e nos adaptar à mudança climática graças a soluções renováveis", afirmou Martina Otto, chefe da Unidade de Cidades da ONU Meio Ambiente. "Se o mundo estiver empenhado em cumprir as metas do Acordo de Paris, as cidades terão que procurar arduamente a implementação de tais soluções", acrescentou.

Espera-se que as emissões do setor de refrigeração aumentem 90% até 2050 (em relação a 2017), quando a refrigeração do espaço por si só consumirá tanta eletricidade quanto a China e a Índia consomem atualmente.

"À medida em que as temperaturas globais aumentam, as dificuldades para manter os ambientes frescos está se tornando um problema de saúde urgente, com as cidades particularmente em risco", disse Dan Hamza-Goodacre, Diretor Executivo do Kigali Cooling Efficiency Program. "Um planejamento urbano inteligente pode desempenhar um papel crucial no fornecimento de soluções de refrigeração, como telhados verdes e corredores verdes ou padrões mais altos de projeto de edifícios que melhoram a eficiência e o resfriamento passivo".

As soluções baseadas na natureza constituem uma das abordagens promovidas pela Kigali Cooling Efficiency Program, que reúne governos, empresas, sociedade civil e organizações internacionais.

A coalizão trabalha para evitar a necessidade de resfriamento ativo por meio de soluções sustentáveis, construção inteligente e projeto urbano. Seu objetivo é alimentar os serviços de refrigeração por meio da energia renovável - como por exemplo, com o uso de distritos de resfriamento e cadeias de frio movidas a energia solar.

A coalizão também está pressionando para aumentar a eficiência do resfriamento convencional, aproveitando a Emenda Kigali. Ela procura proteger as pessoas vulneráveis dos efeitos de calor extremo e das cadeias de frio, alavancando toda a cooperação possível.

A Cúpula Global de Ação Climática das Nações Unidas, que será realizada 23 de setembro de 2019, em Nova Iorque, tem como objetivo aumentar a ambição de compromissos nacionais para acelerar ações contra a emergência climática global e apoiar a rápida implementação do Acordo de Paris. A Cúpula é organizada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres.